terça-feira, 31 de março de 2015

Eu me amo

Nunca fui uma criança tipo menina linda-princesa-vai dar trabalho com namoradinhos. Eu era bicho do mato, calada estava sempre observando tudo, a poeira na fresta de sol, a última gota de água da pia, as luzes e sombras noturnas entrando pelas frestas da janela e percorrendo o teto, as formigas carregando imensidões, os galhos secos desfigurados, as figuras nos nós da porta de madeira, o fogo na fogueira, a fumaça na cheleira, as pessoas na correria do dia, as pessoas...no sofá, no metrô, na padaria. Eu olhava fixa e desconfiadamente enquanto teciam algum comentário sobre mim, como se eu não estivesse presente, apesar de me encararem dizendo: - que pequenininha, fofinha, é tímida?, gosta de desenhar né?, o gato comeu sua língua...e nesse ponto eu soltava um corajoso: -Comeu! Que fofa, diziam com riso amarelado. 

Nunca fui uma criança tipo menina linda-princesa-meu deus como é simpática-vai dar trabalho com namoradinhos. Eu estava sempre à escuta, atenta a tudo que vivia ao meu redor e às pessoas, eu fechava os olhos e permanecia imóvel, por horas, por minutos, só para ouvir os sons que o mundo fazia enquanto eu dormia, era como tentar flagrar o papai noel na calada da noite, mas eu queria flagrar o universo inteiro e as pessoas. O que acontece enquanto eu durmo? O que fazem os bichos, a lua continua no céu? Os peixes dormem também? O mundo fica pausado? E o que dizem as pessoas? Eu sempre tive grande interesse pelas pessoas que as pessoas escondiam dos outros (de mim no caso, de todas as crianças, talvez).

Nunca fui uma criança tipo que linda-princesa-menininha mais educada do mundo. Eu era quieta porque achava tudo muito estranho sempre, achava as pessoas incoerentes, os casais incoerentes, as famílias incoerentes, eu era quieta porque queria desvendar o grande mistério das mentiras que as pessoas contavam enquanto eu estava acordada, não, eu queria era flagrar o grande mistério das verdades que as pessoas contam enquanto o resto do mundo dorme, eu era quieta porque em silêncio podia ouvir meu coração.

Hoje sou uma mulher que nunca foi do tipo exuberante-princesa-modelo padrão-meu deus morri e o grande mistério do universo das pessoas que as pessoas não querem ser e as mentiras que elas contam para si, não me arrebatou, continuo sendo uma criança tipo doida-meio moleque-no mundo da lua que gosta do silêncio que permite ouvir o coração, porque isso me faz conseguir aceitar as minhas verdades, ainda que elas sejam o avesso do padrão comercial, a sombra da massa, essa sou eu e eu me amo.


Nina Rocha
terça-feira, 31 de março de 2015.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Meia noite, meio dia: non-sense como a vida sabe ser.

Dormi tarde, como de costume. 
Sonhei com cães fofinhos, saudades dos meus.
Acordei medianamente cedo, do jeito que eu gosto.
Meditei, sem pressa alguma.
Bebi meio copo de água gelada com um limão espremido, eu gosto do azedo.
Tomei um banho estilo tempos de escassez, cinco minutos.
Arrumei a cama, sem preguiça, já tive, mas agora arrumar a cama é o signo de que acordei de vez.
Preparei uma tapioca e piquei meio mamão, café da manhã, no meio da manhã.
Lavei roupa estilo tempos de escassez, roupas do último mês lavadas de uma só vez.
Li um mapa astral que prioriza o amor e o sexo, Vênus em leão e Marte em gêmeos, fez muito sentido.
Escrevi mais um haicai/haikai brasileiro, acordei com vontade de escrever, sim Guilherme de Almeida e etc, blá blá blá, vou escrevendo.
Almocei com minha vó, a gordinha, o momento em que eu posso desligar a TV e a gente consegue conversar.
As trovoadas soaram intensas lá fora, veio a tempestade do verão, que está chegando ao fim.
Fiz café, dividi com o pretinho velho e bebi o meu com um doce de amendoim que ganhamos da melhor vizinha dos últimos tempos.
Lavei a louça, retirei os lixos, arrumei a mesa, preparei os fones, os livros, o caderno de anotações.
Fiz um telefonema urgente pensando nas respostas de Job que ainda não vieram, meu único motivo de pequena ansiedade ultimamente, saudável, que me faz tirar a bunda da zona confortável do sofá.
Enquanto escrevo a vizinha traz dois caquis enormes e maravilhosos pro lanche da tarde, essa vizinha é o avesso da modernidade, adoro isso.
Pausa...conversando com a vó sobre pés de café do quintal da antiga casa da Lindoro.
Ouça-me bem amor, preste atenção, o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó...
Ouço Cazuza nos fones, com mais atenção, lembro que quando criança eu amava ouvi-lo, entendia tudo ao pé da letra e hoje percebo que é mesmo isso, Cazuza não usava metáforas fofinhas, é navalha na carne mesmo, o eu criança era estranho, penso.
A tarde continua, a escrita continua, lembro dos livros que estou por organizar para edição, nas letras de samba que estou por ouvir a melodia, nas cenas de Clown que estou por transformar em número, nos jobs para os quais estou a esperar resposta, nos jobs já confirmados, no treino de hoje cancelado pela chuva ou pela necessidade de escrever, estudar e fazer alguns contatos pra levantar novos jobs, pra adiantar os novos projetos, e você? Em que está pensando?
Penso nas pessoas desvendando meus passos, nesse bordado de meia noite, meio dia que transcorre enquanto escrevo.
Penso neles, em mim, em você, na humanidade, no Cazuza, no Chico Buarque que entrou na play list; na vó que retomou seu crochê; no sonho com os cães fofinhos; no quanto eu amo meu estilo de vida, ainda que alguns dos meus desejos ainda não estejam presentes; na tempestade que cessou; em tomar mais um café, mas o excesso traz um gosto de fígado à língua, então não; nessa explosão de pensamentos, desejos e ações de que a vida é feita.
Como em meia noite, meio dia, tantos pensamentos, desejos e ações pipocam pelo mundo todo e mesmo aqui, quanta coisa aconteceu enquanto eu escrevia e continua acontecendo enquanto eu digito o nosso ponto final.


Nina Rocha
06/03/2015


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ex fugitiva.

Sua realidade se emaranhava às narrativas literárias, simultaneidades a paralizavam diante do teto. 

Romances água com açucar foram sua escolha para os momentos abajour - como decidira nominar a leitura noturna - por interferirem pouco na atividade neural, evitando os ataques de produtividade madrugadas à fio. 

Entretanto...(pausa dramática) alguns romances, como o que a trouxe aqui hoje, bordam realidades sensíveis em suas ficções, pincelam aforismos, instigam reflexões. 

Você usa o futuro para fugir do presente ou usa o presente para criar o futuro? 

Olhos vidrados à meia luz, ela suspira, sente uma brisa de intelectualidade em seu auto-questionamento, sente vontade de escrever, sente vontade de rir, ela sabe a resposta e a respota a satisfaz. 

Ela sorri com uma alegria genuína, ao perceber que sua interrogativa fora retórica e retroativa, fruto da vivência dos últimos três ou quatro anos, fruto da conquista de uma ex fugitiva que recuperou suas verdades e voltou a criar.

Nina Rocha
15/02/15
Momento abajour. 


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Porta-retratos.

Minha velhinha tirou férias, acabou de pagar #estrada, levaram a gordinha pra uns dias na casa da titia da gataiada. A casa ficou vazia e eu, que estou sempre partindo, hoje fiquei... fiquei com saudades, fiquei engolindo o choro, fiquei com a despedida entalada.

Ela acha que me dá trabalho, mas me dá mais é alegria, uma pessoa de #humor ácido e pontual, que ri da minha cara enquanto dou bronca, uma guerreira sagaz, cansada, mas que não perde uma piada, ela pegou estrada... E eu fiquei, sem metáforas, sentindo uma falta que tem solução, é só uma semana fora, depois a gordinha volta; quase como eu, que passo estações inteiras fora, depois volto. 

É só uma semana, repito internamente...porque hoje, eu fiquei, quem ficou fui eu. Fiquei com a saudade de como quando eu era #criança e dava tchau da janelinha do ônibus, religiosamente aos domingos, ainda pequenina pela estrada afora eu ia bem sozinha. 

Hoje foi ela, que de novo pequenina (e não ainda, porque ela cresceu, mas o envelhecer encolhe) deu tchau da janelinha do carro e eu...eu fiquei...fiquei com a compreensão da casa silenciosa depois de um dia de festa em família, a boa comida, as filhas, os netos, os bisnetos, o gato, o cão, a vizinha, a tv, um vulcão e depois a calmaria, a triste paz da casa vazia.

Hoje eu fiquei com a emoção de um amor que não tem tamanho e não cabe em nenhuma poesia, fiquei com o tempo congelado nas fotografias, hoje eu vou dormir com os porta-retratos.

#domingo #só #meandmyself

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Romance concreto, uma história de amor baseada em fatos reais.

Nunca em minha vida tive um caso de amor tão profundo, sincero e monogâmico como o que se apresenta.

Nos idos anos 90 eu me apaixonei, mas muito antes eu já mostrava um certo interesse por ele, uma curiosidade que teria sido despertada desde muito cedo, posso dizer que o conheci bem antes de pronunciar minhas primeiras palavras; ele constantemente me visitava e eu à ele, mas à época eu não tinha definições formadas nem sobre meu próprio corpo ou existência, eu apenas estava, presenciava, sentia e reagia, comia, cagava e dormia.

Lembro de espiá-lo timidamente quando me levavam ao encontro dele e, só depois  que ultrapassei meu primeiro desafio corporal, numa trajetória dolorosa e cômica, que levou por volta de três anos, durante os quais eu me recusava a engatinhar ou a usar os pés, só depois que comecei a andar como gente e deixei de me arrastar como minhoca, pudemos nos ver com mais constância.

Passei anos a fio espiando timidamente dos bastidores, das cabines de luz e som, por trás das malas, em meio aos figurinos, sob um chapéu maior que eu, e ele lá...ao alcance das minhas observações, excêntrico, divertido, cheio de admiradores declarados, fui me apaixonando sem nem mesmo perceber.

Foi em 1995, não sei se foi um passo de coragem, uma ação inevitável ou obra divina, era pra ser; finalmente me aproximei, cheguei junto pra ver qual era, me coloquei na cena e dei a cara a tapa. Adolescente, gordinha, insegura, introspectiva, eu... encarei todas as oposições internas e flertei com ele, brincamos, jogamos, contamos histórias por semanas, foi aí que ele definitivamente me seduziu.

Embasbacada, eufórica, encantada, eu estava apaixonada, os hormônios explodiam, flertava com outros para testá-lo, óbvio, ainda mais com a família me incentivando a deixá-lo de lado, a experimentar outros encontros, ficamos assim, num misto de fogo que arde sem se ver com poliamor, nos encontrávamos somente em público, sempre com muitos olhos ao redor, até que percebi que aonde quer que eu fosse, teria uma sombra aos meus pés, uma voz martelando, seus vultos viriam em sonhos e pesadelos se eu não me entregasse à vivência de nós dois.

Assim, passamos juntos pela universidade, pelas artes cênicas, pela pós graduação em arte e educação, pelas dezenas de cursos de clown, de jogos, de improviso, de voz, de treinamento, nos deliciamos enquanto nos jogávamos na iniciação à putaquenospariu da arte do ator, crescemos juntos, chegamos à juventude.

Eu estive plena, ardente de paixão; muitas vezes às cegas, carregando minha fé, jogava-me diante dele; fizemos loucuras inconscientes, nos deliciamos em palcos, praças, lonas; fomos muitos, com ele fui menino, fui meu pai, fui a morte, fui mendiga, madame, mocinha, palhaça, bufão, cafetina, fui grupo e solo, fui humor e tragédia, fui quase loucura e então me perdi, e aí...o abandonei.

Ele se transformou em contos e fotografias, em memórias alegres que a cada ano me traziam mais saudades, fugi para encontrar terra firme, para não morrer, para voltar a mim, para olhar com distanciamento aquela nossa travessia tão intensa, nunca o abandonei de fato, eu o carreguei comigo dentro dos livros, nos dias de festa, tudo era motivo para convidá-lo a participar, ainda que não estivéssemos tão envolvidos, ainda que ele se sentisse traído e muitas vezes se recusasse a vir.

Ele esmoreceu, eu entristeci. Durante esse tempo em que nos afastamos, enquanto eu aprendi a pousar dos meus voos criativos, me descobri em outras perspectivas, aprendi a dançar com as emoções, a flutuar com a mente, a escutar o corpo, a tocar a loucura sem me perder, ele adormeceu e eu... acordei um dia, meio selvagem, mais eu do que em qualquer outra fase da vida, acordei na idade de Cristo (seja lá o que isso quer dizer), mas acordei leoa, acordei rugindo para que ele voltasse a abrir os olhos, eu o acordei dentro de mim.

Esse tempo em que estivemos afastados foram três longos invernos, em que ele-urso hibernou, em que eu-semente germinei, foram três longos anos de fogueiras frias, interrogações, descompassos, contra-tempos, ilusões e metáforas, o tempo de conhecer o profundo fosso das tentativas, dos grandes aprendizados, das desilusões, até reencontrar aquele feixe de luz do sol primaveril, aquele fim do túnel da salvação, aquela bendita primavera que agora passa a ter mais cores do que nunca, ainda que continue a mesma.

Durante todo esse tempo ele não mudou, continua sendo múltiplo, excêntrico, alegre, extremamente admirado e temido também, já eu... continuo sendo eu, só que numa existência mais plena, mudada por dentro e por fora, com bobagens emotivas a menos e mais motivos para sorrir, com uma riqueza sem tamanho por ter descoberto que viver é muito mais simples do que parece quando se encontra o verdadeiro amor.

Passei com ele momentos tão extremos, da paixão ao abandono, do vício ao esquecimento, nossos vinte anos de relação fizeram isso de mim. Isso: essa mulher que eu amo ser, que escolho ser, que com ele pude vir a ser, essa atriz, devir humana.

Meu Ofício, te amo pra sempre, te amo demais! <3 

Sua atriz,
Nina Rocha
12/02/15
Esperando a hora do rush passar...

#atriz #actress #teatro #cinema #tv #literatura #poesia #arte

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Inteligência emocional num mundo cruel.

Lembra que esses dias escrevi ligeiramente sobre inteligência emocional? (http://anicarocha.blogspot.com.br/2015/01/papo-de-mulher-existe-encontro-perfeito.html)

Pois é, hoje a minha foi colocada à prova de um jeito bem macabro, bom todos os dias ela é testada e retestada, mas com crueldade e sarcasmo, são casos esparsos.

Recebi um daqueles telefonemas que dizem vir de dentro das prisões.

1º eu estava dormindo e acordei com o telefone de trabalho tocando;
2º estava escrito "desconhecido" o que já me deixou desconfiada;
3º uma voz de mulher aos prantos gritava: - Filha eu fui assaltada! (Repetidas vezes);
4º uma voz masculina dramaticamente irritada gritou: - Coloca a mãe dela no banco de trás, então, pegou o telefone e bradou: - Você é filha dela? 

E aqui começa a difícil manutenção da calma, que alguns chamam de frieza e que graças ao trabalho de autoconhecimento através da prática do Yôga, eu consegui manter, respondendo:

- Filha de quem?

Ele mais irritado, bradou repetidamente: - Você é filha dela ou não é?

Eu: - Filha de quem? Com quem você está aí?

O ogro: - Responde o que eu to perguntado, porra! Você é filha dela?

Eu, num misto entre preocupação é riso, pois o cara estava nitidamente descontrolado, desatinei a fazer perguntas: - Onde vocês estão? Com que você está? De onde você tá falando? (Com voz bem serena e o coração acelerado, pq sim, poderia ser minha mãe)

Ele começou a bradar com muita ira e eu aproveitei pra mandar mensagens pra minha irmã e pra melhor amiga da minha mãe, de um outro aparelho, enquanto o ogro se contorcia do outro lado da linha, falando sem parar.

Graças à obra do acaso ou da sinergia ou de Deus, Buda, o deuses dos que matém a calma, tive uma resposta ligeira, da amiga linda: - Estou com a sua mãe no ap, tá tudo bem.

Suspiro e agradeço a todos os santos!

Desliguei a ligação e insistentemente me ligaram mais três vezes, não atendi, já estava em outra linha conversando com minha mãe e combinando uma senha pra gente se defender desses ações que parecem novela mexicana quando descritas como aqui, mas que são extremamente cruéis e deixam muita gente de cama.

Minha avó, essa de quem estou cuidando, já foi parar no hospital por causa de uma ligação dessas, aí eu reitero, inteligência emocional, pra manter a calma e usar o raciocínio nos momentos de pressão psicológica e pra conseguir agir em prol da resolução, seja o problema qual for!

Estamos bem, mas o ogro....deve estar ligando pra outro número é me xingando até altas horas...agora, que está tudo bem, aproveito pra rir, da cara dele! Kkkkk hauhauhauhauah shuashuashua akakakakka...ele não faz por mal, é o que sabe fazer pra sobreviver nesse mundo, me deixe com meu riso e engula sua crueldade, mundo louco!


Nina Rocha
27/01/15

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Papo de mulher: existe encontro perfeito?

Ontem um petit ami me falando sobre a ideia pra um artigo, me contou sobre um papo de rodinha masculina, o papo de homem que diz o seguinte:

- Se a mulher é maravilhosa indo, vindo não será! (e vice-versa).
- Se ela é maravilhosa indo e ao vir surpreende, inteligente não deve ser.
- Se ela é maravilhosa indo e vindo e ao aproximar-se você descobre que ela é poliglota, ao ouvir um italiano de excelente pronúncia, ahhh, meu amigo, ela deve ser chata.
- Aí vocês engatam um papo e a beldade além de inteligente é legal! É de acabar o mundo em um novo Big Bang! Tudo em chamas numa explosão atômica em câmera lenta com foco no olhar de descrença do homem, sendo consumido pelo fogo...

Tá, pros homens o mundo acabou aí, mas a mente feminina (ou a minha, sei lá), vai mais longe, porque: PORRA*, de beldades naturais ou trabalhadas no bisturi com silicone, que são poliglotas viajadas e globalizadas com consequente bom papo, o mundo está cheeeeio, há muita tecnologia, dinheiro e perspicácia sendo usada pra isso por aí.

Por isso meus miolos trouxeram à tona uma outra questão, que pra mim tem destaque absoluto no quesito bons encontros, pois dela depende o ruir ou o florescer de uma relação:

- Ela é segura por trás do makeup e por baixo da undeware? Ou seja, ela tem inteligência emocional ou vai ruir no primeiro tropeço? Ou vai se encolher na primeira enxurrada de realidade? Ou vai se esconder atrás do salto alto e das cuecas de caras novinhos que não sabem o que querem e se ela não souber nem vão se dar conta? 

Tem uma porrada de 'ou' que leva à mesma fundamental interrogação: inteligência emocional, tem pra hoje? E pra amanhã?

Pois é, meus queridos, essa coisa de encontro perfeito não é fácil mesmo, mas quer saber: FODA-SE* a perfeição! Encontro bom é encontro que faz o coração vibrar do começo ao fim, mesmo naqueles dias em que o seu ânimo não está dos melhores, mesmo naqueles dias em que a vida tá te colocando pra fazer escolhas difíceis, encontro bom é encontro com vontade e sem medo da feiura da realidade, encontro bom é aquele em que há entrega na medida do possível e em que há honestidade sem medida. 

Encontro bom é aquele que acontece e te prepara pro encontro mais que bom, aquele que dura um tempão, que vira vários encontros, mas um dia acaba, aquele que foi uma vez só e foi suficiente, porque o próximo será diferente, mas mais próximo do que pra você é consistente, então se há encontro perfeito, é aquele que dá vontade de repetir pra ver no que vai dar.

Já a inteligência emocional é uma conquista a longo prazo, só pra quem quer, por esforço próprio, que dinheiro nenhum compra e se descobre experimentando, então, manda a ver! Se joga nas ondas, no colo, na vida, experimenta! Vive! 

Outro dia eu me jogo no tema da inteligência emocional, bem bacana. ;)


*Sou de poucos palavrões mas as vezes, só um sonoro palavrão explica!



Nina Rocha
22/01/2015



Foto: José Pacheco/2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

🎼 Só por estar perto

Contato com tato,
a pele compele.
Converso com versos,
falo. Colo. Nexo.

Despido o pudor,
meu corpo confesso,
inspiro seu gosto,
tão claro e complexo.

A ti reconheço.
A mim, recomeço.

Contato viril,
instável querer,
no desassossego,
com dor e prazer.

Amar, comover,
como ver o mar,
só por estar perto,
dos teus olhos.

Dos teus olhos,
só por estar perto,
é como ver o mar
pela primeira vez.

Nina Rocha
9 de novembro de 2014

Blues-Rock


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

🎼 Quero voar

(Fala: Ah, passarinho, a primavera chegou, canta, canta que eu quero voar. )

Canta que eu quero voar,
a primavera brotou. 
Sacode o penacho,
vem banhar no riacho. 
Meu rouxinól, meu sabiá 
meu tico-tico no fubá. 

Quero provar o teu canto,
encharcado de frescor. 
Canta em minha vida, perdiz
a manhã chegou florida,
vem pro diz que me diz,
meu bem-te-vi, meu azulão. 

O sol veio suspirar 
abriu suas flores de luz,
nas ruas pintadas de céu, 
o bailar dos tuiuiús. 
Vem minha andorinha,
sonhar nos meus braços, nus. 

Enquanto o coração pulsar, 
o vento correr, o tempo passar, 
quero o teu cantar, quero voar. 
Quero gente feliz, curió,
com vontade de viver, meu pardal.
Canta, araçari, espanta meu mal. 

Canta que eu quero voar,
a primavera chegou. 
Vem meu trovoada,
pros braços da amada,
Meu falcão, meu cara-cará,
meu tico-tico no fubá. 



Nina Rocha
Rio Branco (AC) - 25 de janeiro de 2014. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Vermelho nu

Pousada em meu olhar
despida de pudor
embriagada flor

Cor sobrenatural
deleite fulgural
êxtase de quintal

Oh, Púrpura carmim
cupido, querubim
estilhaçou em mim
encantos carmesim



AR
foto e poesia
04/08/14



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Não seus netos! Você, sua mãe, seu vizinho e Eu!

O racionamento de água chegou em minha casa...(sim, estou P da vida!)

Se eu ajo em prol da sustentabilidade e você não, todos perdemos. Se você também agir, poderemos reverter esse colapso. Em geral explicam sustentabilidade como ações para garantir o futuro, mas povo, acorda, a derrocada já está evidente, manter as mesmas atitudes devastadoras no presente, fará o que do tal futuro? 

Você sabe o que é a "modinha" sustentabilidade? 

É não precisar fazer racionamento de água porque tem turistas em sua cidade ou porque a chuva demora um pouco mais que o esperado. 

É fazer uso generoso da tecnologia disponível, revezar um carro para cinco pessoas, não cinco carros para uma. 

É usar suas pernas para chegar a lugares próximos, subir e descer pelas escada se você mora entre o primeiro e o quinto andar. 

É comprar muito menos, com máxima qualidade e perceber que ninguém está nem aí se você repete sua roupa durante a semana ou se o seu iPhone não é o último lançado. 

É não ter desmoronamento de favela, porque o lixo produzido durante anos arruinou a terra sobre a qual a construíram. 

É quiçá, não ter favelas, mas construções dignas feitas com materiais inteligentes, naturais e baratos que não agridem à Terra e nem ao Homem. 

É entender que diminuir o consumo de carne não tem a ver com chatice vegetariana, que não é "só" pela questão dos maltratos e da exploração animal, mas também pela absurda quantidade de água utilizada para manter essa indústria de "produção" insana de animais vivos e outros efeitos danosos ao planeta. 

É saber que a quantidade de água usada no sistema de reciclagem de matéria suja é tão preocupante quanto o excesso de lixo inorgânico produzido e que você pode escolher seus produtos também pelas ações sustentáveis que as marcas colocam em prática. 

Sustentabilidade é ser generoso com o seu vizinho e no fim das contas, com você mesmo, porque em geral, o que você dá, receberá em retorno. 

Sustentabilidade é entender que se eu cuidar para que tenhamos o elementar e Você não, nenhum de nós terá, todos sofreremos as consequências, não seus netos ou bisnetos, mas você! Você vai sofrer com o racionamento de água, com as doenças causadas pela poluição, com a falta de terra saudável para plantar e firme para construir, você vai sofrer as consequências agora. Você, sua mãe, seu vizinho e Eu!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Aborto

Muitas coisas no mundo me surpreendem a ponto de me calar até por dentro, nem sempre são aconchegantes, desvendar-se muitas vezes dói. 

As questões que matam meu vazio são tão letais e tão restauradoras do que há de mais vívido em mim, assim, na travessia que ultrapassa meu silêncio, encontro quem quero ser, encontro-me e gosto do que fui e do que sou, pouco a pouco volto a preencher de luz essa sombra que por hora me vela, serenamente, contemplando cada reação, transformando dor em fonte de inspiração...essa luz por hora me revela.

 ...muitas vezes atuei assim, jorrando em expressão, as lágrimas que habitam em mim...


Desperto desejos de criar observando as dores do meu vazio, silenciar em arte-poesia de palavras jamais ditas.

Silencio todos os dias, de manhã e à noite, com precisão e sem desculpas e, no intervalo entre o sol e a lua, contemplações me levam a silenciar de formas inexatas, nas notas de Bach, nas sombras que invadem meu teto, no uivar do vento, em nuvens, em qualquer objeto, entre uma linha e outra, nos travessões. 

Bendito este silêncio que me recorda antigos sofrimentos, durante os quais me fiz cobaia da atriz - que por hora adormece em sono leve - me conheci de novas formas, me resgatei de um choro abismal, resplandeci teatral, pelos olhos, fogo, o fulgor fundamental.

O silêncio abortou os sons, abortou o caos, abortou mágoas e desilusões, o meu silêncio agora está grávido de sagradas possibilidades.





Escrito após a leitura do artigo de Janete El Haouli e José Augusto Manis sobre o silêncio...preciosidade iluminadora.


Ana Rocha - 29/08/2013

    USINA DE ARTE. Rio Branco - AC. Jan/2014

Irmã mais velha, irmã mais nova.

Ermã...Eu te vi em seu primeiro dia de vida e desde então conheci um amor indescritível, desses que só quem tem irmão mais novo, sabe...amor fraterno, eterno e incansável!


Eu senti ciúme quando soube que você viria, me faltava a atenção da mãe que não era mais "só minha" e além disso, eu já era moça, prestes a sair de casa rumo à vida própria, cheia de dúvidas e medos do universo imenso e desconhecido que estava pra desbravar.


Mas você veio...e quando te vi, com seus olhos arregalados de surpresa e encantamento a cada som, cada cor, cada textura, percebi que pra você, cada segundo era um universo imenso a desbravar...então, sua vinda, me deu coragem pra desbravar cada segundo como se fosse o primeiro também. Sua vinda me deu vida!


Crescemos juntas, eu vindo pra adultice, você vindo pra juventude...participei de cada fase da sua pequena infância à sua inexorável adolescência (mãããe o que é inexorável? - rsrsrs)...algo que não se pode evitar, essa inexorável e que ainda vai estar contigo por mais alguns anos, adolescência!


Irmã, estou feliz por te saber tão forte e tão sensível, porque a vida é mesmo feita de paradoxos e os opostos coexistem, sim somos fortes e sensíveis ao mesmo tempo, somos lindas e horrorosas, boas e más, somos as pessoas mais felizes do mundo e as mais tristes, ao mesmo tempo, porque a vida é construída por muitas partes que se misturam e se modificam o tempo todo...


A vida é construção, é criação, transformação, resultados de cada uma das nossas escolhas!


A minha escolha hoje é dizer mais uma vez que TE AMO e que haja o que houver, estarei presente (mesmo quando estiver longe) porque meu coração assim quer. 


Escolho ainda, te desejar caminhos iluminados e sentidos atentos, desejo que suas escolhas sejam as mais serenas, as mais alegres, as mais motivadoras, as que te façam sorrir com a alma....mas mesmo que as vezes faça a escolha errada e precise chorar, voltar, refazer, recomeçar, meu abraço, estará aqui, para você, pra lhe dar força e incentivo pra seguir em frente!


Sua Ermã inteira, jamais pela metade,


Nina.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Bom sujeito! Peripécias criativas no Acre.

Durante minha última viagem, tive surtos de criatividade e tratei de aproveitar as habilidades das minhas companhias para criar algo que fizesse sentido para todos, eis que desembestei a escrever estas 13 letras que estão ganhando melodia e harmonia para um futuro breve projeto musical...Com um terno agradecimento ao Antônio Carlos (Tony Bandolim), por suas dicas e pela imensidão de sambas e choros que me fez conhecer, à Carol Di Deus, maninha que me carregou pro samba acreano, à Bárbara por seu super acolhimento e cafézim de todos os dias e às Moças do Samba, que entraram pra história como primeiro grupo feminino no samba acreano, viva as mulheres!

Agora aguardo carinhosamente para ouví-las na voz da maninha Di Deus, ao menos algumas, e no Bandolim do Antônio Carlos...tô me coçando, gente, bóra gravar!






















sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Deserto


Bravamente remei

num mar louco, bravio

de egoísmo e tormenta


Serenamente aportei 

num oásis sutil

que generoso acalenta











domingo, 19 de janeiro de 2014

O que levo na bagagem?

Para pouco mais de um mês e meio de viagem, por céu, terra, sol, neve, vales, montanhas, rios e urbanizações, quantas coisas você levaria na mala?

Parti de casa dia 26 de dezembro de 2013 com a intenção de carregar a menor bagagem possível para ficar o tempo que fosse fazendo o primeiro mochilão de 2014, desde então passei por vários lugares inusitados e, querem saber a real? A próxima mochila será ainda menor!

Nunca me senti tão linda, tão próspera, tão satisfeita e tão certa das minhas escolhas como neste momento da vida, aos pouco mais de 30, com pouco mais de 8 amigos desses que são das antigas e tipo irmãos, pouco mais de 8 novos amigos que prometem virar das antigas e tipo irmãos, pouco mais de incontáveis amigos pra coisas diversas, perdas que deixaram saudades irreparáveis e ganhos que fizeram nascer alegrias imortais e com incontáveis momentos marcantes que fiz acontecer e que outros aconteceram por si. 

Hoje, minha maior bagagem é feita de amigos, de família, de lugares, de culturas diversas, de simplicidade, de carinho e cuidados até com desconhecidos, de aventuras e de sonhos realizados!

2014 me deu de presente o próprio presente, vivido a cada momento com um contentamento indescritível por ter saltado tantos obstáculos e enfim retornado aos verdadeiros sentidos da minha vida.

Um viva ao teatro, ao cinema, aos clowns, à música, à poesia e aos poetas, às viagens de aventura e os viajantes que as encaram, aos amigos, ao mar, à criatividade, à oratória, à expressão, ao circo, à dança, ao amor pela existência...à arte de viver bem!


Na minha mochila de 30L tem:
1 livro 
1 iPad
1 Saco de dormir
1 calça
1 blusa de frio 
1 gorro
2 vestidos
2 camisetas
2 camisas
1 par de sapatilhas
1 par de sandálias
1 par de botas para trekking 
3 pares de meias
5 calcinhas
2 sutiens
1 top
1 short
1 roupa leve pra dormir
1 necessaire mini com itens de higiene pessoal
1 par de chinelos comprados no caminho
1cachecol de pelo de alpaca para o qual premeditei um espaço na mochila antes de sair de casa

RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS FREQUENTES:

1.Sim, lavei roupa durante a viagem e até isso foi divertido;
2.não sou milionária, mas a única coisa cara é a primeira passagem, se for pro Acre, mas se 
começar por um lugar mais próximo, nem isso será caro;
3.sim, dá pra fazer grana durante a viagem, aprenda a ser empreendedor e a constituir uma rede de trocas, tem sempre alguém precisando do que você tem a oferecer e vice-versa;
4.ter amigos é mais valia, sempre, em qualquer lugar, de qualquer cultura, a qualquer tempo, valorize-os!
5.fazer amigos é o jeito mais fácil de viajar gastando pouco, se ainda não sabe fazer isso, aprenda antes de se aventurar, pois só funciona se for sincero;
6.trocar dinheiro é a coisa mais fácil do mundo, em qualquer país você encontrará casas de câmbio logo na chegada, mas fique ligado, troque em quantidades pequenas e certifique-se de que trocam reais, caso não o façam, tenha um pouco de dólares consigo, JAMAIS deixe todo o dinheiro à vista, só troque no câmbio negro se souber verificar se a nota não é falsa e faça isso antes de tirar o seu do bolso (nenhum perrengue aconteceu comigo, mas vi acontecer com amigos, que mesmo viajados, deram bobeira na distração);
7.se você é vegetariano como eu, fique tranquilo, o mundo sabe que nós existimos, tem muita comigo gostosa e as saladas passam longe de ser a única opção, aliás, NÃO COMA saladas cruas em lugares desconhecidos e preparasse para beber refrigerantes OU BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS CONHECIDAS, que por incrível que pareça, em alguns países são mais seguras que a água com a qual o seu organismo não está acostumado;
8.carregue sempre chinelos para os banhos em Hostel, para evitar ouriços do mar e para dar um descanso para os pés em qualquer solo que se apresente;
9. Quer me perguntar algo? Escreva-me, terei prazer em responder....podemos  também tomar um café, se você leu meu texto até aqui, deve ter interesse em assuntos que me cativam também!


Espero seu oi, beijos.

@anicarocha
Ana Rocha

Janeiro de 2014, o ano da alegria


#mochilao #américadosul #vidaempoesia #peru #naestrada 

sábado, 30 de novembro de 2013

Diálogo Dissolúvel: Esperanza ou Rabo de Lagartixa.

- Uma mulher capengava de uma espécie de flor aberta dentro dela. Um buquê alegre que agora se dissolvia. Vinha pingando oceano, com a alma vazia. 


- Que o mato não tome conta do seu abandono! Quando foi que ela parou de cantar?


- Borboletas incendiaram seu corpo e seus chapéus. Ela se costurou com águas frias. Perdeu-se nas chuvas de dezembro, desejando um dia de pássaro ganho. Pouco a pouco as dores viraram vento e história. As memórias inconsoláveis, feitas de rochas e de nuvens, floresceram como loucas. 


- Oh, céu sem prateleiras! O que é feito de pedaços precisa ser amado! (De Manoel de Barros)


- Em tardes frias, sai de dentro dela mesma pela porta da frente, distribui flores de brisa na sarjeta do desamparo. Morre e vive um tanto por dia, esvaindo palavras febris. No rodado de seu vestido de pétalas de tormento, tudo nasce e dança. 


- Ninguém é mãe de um poema sem morrer um pouco, quanto mais transparente a poesia, mais a morte se anuncia. Palavras fazem miséria! Quando foi que ela começou a escrever? (E parou de cantar...[em pensamento])


- Só se sabe por emanações. Não lhe incomodam as coisas inúteis, como se a vida não tivesse utilidade alguma pra além dela mesma. Já a ouviram murmurar desencantos, contando estrelas de asas abertas: - Quem sou eu diante das palavras que me habitam?, dizia.


- Pouco a pouco as mágoas viram água...e memória. Quem morre uma vez, morre mais, a dor se configura em paz, o amor é bicho que se refaz, o amor é rabo de lagartixa, rapaz!






Inspirado em 4 goles de poesia:


Minha própria vida, que fala por si;

Um terço de livro de Manoel de Barros, folheado hoje;

O Clipe Calle 13, Latino América, apresentado por um amigo canceriano;

O Filme Elena, que me fez chorar.



Ana, a Rocha, o vento, a chuva, a flor... Amo  r  te, Á vida, o mar, AR.

30/11/13 * 28/07/14



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ensaio sobre o afeto canceriano.

Existe um tipo de afeto, intenso, delicado, de entrega profunda, que só um canceriano sabe conceder, um alguém constantemente apaixonado pela vida que vê nos detalhes do relacionar-se, razão de ser. 

Ama a afetuosidade em si mesma,  oferece um afeto dissuadido do indivíduo que irá recebê-lo, desinteressado de passado ou futuro, afeto de presente puro, afeto daqui ao Japão, afeto de fato, chega potente, brasa de vulcão.

Afetuosidade que escolhe sim, o onde ou a quem, mas sem dividir-se, atravessa a noite e o amanhecer, não cessa de florescer, fica suspenso provocando nuances de bem querer...

bem querer...


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O que me TOCA, o que me MOVE.

Aos meus encontros e reencontros presentes, 
 

O que me TOCA, tem já, antes do encontro, ruído interno, tato, conexão.

O que me MOVE, habita desde sempre, um canto da mente, um ponto do corpo, decerta expressão.

Ainda que por muito, silenciosa, comunico no micro da cotidiana pulsação.

Encanta-me o contato comoção, olhar ternura, falar suave, sentir convicção, encontro canto, encontro conto, encontro agitação.

O que me PROVOCA me coloca em ebulição, transpiro e suspiro inspiração. 

Ainda que por muito, silenciosa, declaro no macro, incontida satisfação. 


com amor,

Ana, a Rocha, a chuva, o vento e a ação. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Simpli.cidade, minha natureza.

Cruzamos um parque lindo hoje, de ponta a ponta, patrimônio natural da humanidade, floresta de pássaros e borboletas incríveis, veadinho bebe na beira da mata e flores que nunca vira antes...a solidão da floresta é encantadora, preenche o coração.

A música foi do vento e dos cascalhos da estrada.

As nuvens acolheram o sol pra nos proteger, a brisa soprou de leve pra refrescar sem surpreender.

Muita água, petiscos e conversas esparsas.

Um pássaro de azul intenso passou ao meu lado, do tamanho de um tucano, que também cruzou a pista, o pássaro azul foi o mais lindo que já vi.

Assim foi a viagem, amigos, um dia inteiro defrontando gostos e desgostos na relação urbanismo-natureza.

Buscando dentro de mim os momentos em que essas fronteiras estiveram equilibradas, os melhores momentos da vida.

Na cidadela, o coreto e a igrejinha no topo da praça central, rodeados por árvores antigas, bancos com nomes de famílias e fazendas, a sorveteria, a imobiliária, a prefeitura, o posto, o restaurante caseiro, casinhas aqui e acolá...a simplicidade. 

Daí que no meio da tarde a vó Aninhas me liga, pra desejar bom dia das crianças e recebe a surpresa de que eu estava lá, na terra que o filhote dela escolheu pra viver, ficou toda alegre: - Ve se ainda tem vagalumes, filha...enche uma garrafa com água da nascente pra vó...lembra da noite que passamos na estrada?

-Lembro vó...lembro de tanto momento bom...lembro de tudo, vó...
-A vó também lembra...(e lembra mesmo)

Chegou logo depois o Seo Zeca, de falar enrolado e ideias desenroladas, com muita simpatia nos levou até o ponto zero, desenhou o mapa do sítio, falou das demarcações, do rastro de mata derrubada pela "luz" para instalar os postes e fios, contou das duas nascentes e da medição que não sobe a montanha: - o gps atravessa reto, ele não conta a subida.

Passou por nós o único vizinho, com sua esposa, disse que lembrava do Fausto, que proseou muito com ele e que olhava a terra sempre, porque gostou do moço...pois o moço morreu? Tão novo...

-O moço morreu, sou a filha.
-Sou o vizinho, se precisar de alguma coisa liga. E seguiu estrada...
-Alguém ainda tem o telefone do vizinho?
-Ixi! 

O sítio em Sete Barras virou floresta, mata fechada, só entram o vento, o sol e a chuva...mata linda e cheirosa, com todo tipo de árvores e pássaros, se os espíritos existem, o papai deve sempre passear por lá. 

A mamãe dirigiu bravamente, porque segundo ela, os mais velhos tem mais experiência ao volante e nestas estradas isso é necessário, a Mazi, minha amiga irmã, nos acompanhou, também bravamente, cruzando mapas pra encontrarmos os caminhos, contando histórias pra refletirmos outros caminhos...obrigada, meninas pela companhia, incentivo e apoio nessa empreitada tão importante. 



12/10/13
Ana Rocha














segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A menina que tinha sete vidas

Era uma vez uma menina que tinha 7 vidas.
Algumas vidas ela gastou sem saber, parece até que gastaram por ela, mas não, ela escolheu morrer.

Dizem que cada tristeza capaz de apagar a luz que vive no fundo dos nossos olhos, leva uma vida embora. Ninguém sabe se é verdade, mas a menina acredita.

Hoje a menina tem 4 vidas e você deve querer saber como ela acendeu a luz dos olhos pra ter direito a reviver.

Porque as vidas são assim, existem, mas só inflamam se você acender a chama e atuar em seu foco de luz e sua sombra também. 

As três vidas da menina se foram assim:

Uma vida foi com o pai.
Acendeu a próxima com o amor da família.

Outra vida foi com a necessidade de amadurecer.
Acendeu a próxima com a vontade de viver.

A terceira vida foi muito, muito triste, foi com a escolha da morte para continuar a viver, matou por dentro o que a fazia sofrer.
Está acendendo a quarta com a alegria e o riso que ela reaprendeu a fazer florescer.

A menina das 7 vidas agora voltou a construir graça, afrouxar sorriso e disparar gargalhadas, a menina faz queimar bruxas do passado, explodindo seu lado escrachado, a menina quieta tem dentro dela uma louca, louca pela vida, tão louca que faz enlouquecer quem por perto estiver, faz dançar, bater palmas, ficam boquiabertos os mais desconfiados, a menina palhaça das 7 vidas, deixa todo homem enamorado.

Era uma vez uma menina que todos os dias reaprendia a viver, reaprendia a amar, reaprendia a voar, que todos os dias nascia de novo e fazia sete vezes sete vidas existirem, todos os dias, muitas vidas vivia, num dia só.